sábado, 30 de maio de 2015

Ergamos às mãos aos céus II



Ergamos às mãos aos céus e estendamos as mãos aos irmãos (continuação)

A divulgação religiosa não se restringe às leituras e celebrações em templos; músicas e outras produções configuram uma releitura, uma adaptação da bíblia à contemporaneidade. Na década de 70, um divulgador do cristianismo por meio da música foi o padre Zezinho, na década de 70 e padre José Maria nas década de 80 e 90. Nesse esteio, acompanhei o despontar de padre Marcelo, um expoente da década de 90. Para alguns, blasfêmia, para outros, acessibilidade à religião e a Deus, uma contraposição à violência e a um deus mau, distante e punitivo. Com esse Deus, poderíamos nos divertir. As músicas animadas, paródias, as missas- show, presentificam o Deus amoroso, acolhedor,um Jesus próximo e o irmão que olhava e tocava o outro irmão.
Já tratei da intersecção da religião com a cultura, agora penso sob o prisma da psicologia e da sociologia. Médicos, quando não há mais o que fazer, orientam a esperar pelo pior ou por um milagre; religiosos, mesmo sob o manto da fé, vão ao médico e pedem que Deus aja por meio do doutor. Conclui-se: precisamos cuidar do corpo e da alma.A religiosidade é sim uma forma de cuidar do corpo, da alma e da cabeça. Muita gente passou a ler, e a descobrir os amores ágape, philos; o momento certo de Deus, o "kairós". Filmes religiosos levaram pessoas ao cinema; Interlagos entrou no cenário de turismo religioso, e na rota dos que buscam a paz, o acalanto, o olhar, o aperto de mão na hora da saudação da paz, o convívio na hora da comunhão.
Quem dera os homens entendessem o "dai a César o que é de César", assim, aqueles que amaldiçoam a religião como uma captadora e manipuladora de carneirinhos, fariam uma sociedade mais justa, ai sim, Deus só cuidaria das almas, numa morte e numa vida mais justas.