Mesmo
com o apocalíptico discurso do fim do impresso, os jornais ainda saem das
gráficas nesta década, imprimindo os fatos e opiniões, registrando, criando ou
recriando a realidade que entra na história. Sim, para muito, a melhor forma de
se estudar a história é analisar registros periódicos, sobretudo de uma
coletividade. Portanto, um jornal se comporta como um bom ícone ou metonímia
não só do passado, como do presente. Para os leitores que tiveram em maior
parte da sua vida o contato com textos em papel, mesmo que já usem mídias
virtuais, ainda têm apego ou necessidade do suporte físico, o que explica a
fidelidade dos leitores de textos impressos. No que se refere a jornais de
bairro, outros aspectos fidelizam o leitor, sendo o principal delas a presença
de assuntos efetivamente relacionados à região. Dessa forma, esse tipo de
jornal acaba tendo um papel social e político mais explícito, principalmente
pela presença de matérias sobre associações, sobre os feitos políticos etc.
Como o foco são os bairros em que circula, realizações ou abstenções dos
representantes no legislativo e no executivo são noticiados, com textos
produzidos por adversários e por afins políticos, pois todos querem falar ao
seu público e ao vizinho eleitor. Outro fato relevante a citar sobre a
existência dessa mídia é o custeio da produção.
Geralmente,
a edição é custeada pelas propagandas veiculadas dos comerciantes, eventos e personagens da região e, por isso, há uma importante
retroalimentação: quanto mais os moradores, empresários, comunidade se
identificarem com a região, buscarem e conseguirem melhorias e sustentabilidade
do ponto de vista ecológico, humano e financeiro, melhor para os indivíduos,
como cidadãos, munícipes que vêm ao jornal, se veem no jornal e têm acesso a
informações sem pagar para lê-lo.
Essa
gazeta, um dos jornais mais antigos em circulação periódica e gratuita, desde a
década 60, permanece ativo, representando a região de forma tão consistente que
se tornou um exemplo de qualidade e de credibilidade, sendo citado em obras que
tratam do tema comunicação, revelando-a importante não só para o distrito, mas
para cidade e para o país, pelo registro da história que fez, faz e fará e, por
isso, guardada como coleção em
hemerotecas.



