Por diversas vezes comecei a rascunhar, mas rabisquei,
digo “deletei”. Existem temas muito polêmicos que são, como a metáfora sugere,
“mexer em vespeiro”. Mas também não posso ser omissa.
Quem me acompanha, já me
leu falar diversas vezes do ofício de educar, que aqui, para que não haja
confusão, vou usar o verbo “ensinar”, sobretudo para distinguir a tarefa que
pode ser, genericamente, atribuída a e responsabilidade de outras pessoas na
sociedade. Talvez o primeiro problema enfrentado pelo professor seja essa
descaracterização da profissão, geralmente depreciadora: um médico, um
jornalista, um dentista, um advogado, um administrador, todos, se fizerem um
Mestrado, podem ser professores. O contrário não ocorre. Isso quando não,
graduandos de outras áreas, como atividade secundária ou complementar, não por
formação, passam a ser professores em caráter emergencial.
Tenho amor à minha
profissão, sou professora por opção de permanência nela. Quem me acompanha, já
leu crônicas em que falo do CEFAM, que alicerçou o que sou até hoje como
docente; quem me acompanha aqui nessa coluna, já leu meus relatos sobre a
inspiração que meus mestres como Marisa Neves, Luiz Felippe Matta Ramos, Yuri
Alexandre, Zélia Borges, entre outros tiveram, não por serem professores, mas
por, como proclama minha amiga cefânica, Silvia Ferreira, "cumprirem bem o
ofício a que se propuseram". Não é essa a premissa de qualquer profissão?
Não são lindos os juramentos da profissão nos dias da formatura? Todas as
profissões têm sua função pessoal e social, nenhuma deve ser menosprezada. Por que
essa o é? Gosto das metonimizações literárias e artísticas sobre o tema: A
normalista, A professora Maluquinha, Escolinha do professor Raimundo, Carrossel, Malhação
, Música ao longe, Escolinha do Golias, entre outros, porque promovem a
reflexão sobre essa e outras profissões. Mas será que é coerente ou uníssona o
modelo profissional retratado pelas mídias consideradas fiéis à realidade? Em
texto não-artísticos, que dizem divulgar a verdade, infelizmente, parecem mostrar só um ponto de
vista, como bem retratou a professora Daniella Barbos Buttler, no livro Professor:
uma imagem esfacelada?... (continua)

