Interlagos tem
personagens que, mesmo não nascidas aqui, trouxeram representatividade à
região, quiçá ao país. Mas não me refiro
a políticos que eleitos pelos cidadãos da região fulguram no cenário nacional.
Hoje tratarei de uma instituição e seus idealizadores que, embora não tenham
uma ação política, no sentido profissional, ajudam há quase quatro décadas na
criação de uma comunidade melhor.
A instituição
à qual cito foi idealizada por Márcio Eduardo Barone Brandão, modelo, atleta e piloto de corridas (competiu
várias vezes em Interlagos). Após se formar em engenharia em 1972, dedicou-se
ao trabalho espiritualista e às práticas sociais, alicerçado na filosofia que
aprendeu com seu pai que, semanalmente, mesmo com as atividades profissionais,
reunia a família para estudar o evangelho. Ligado ao núcleo religioso Grupo
Socorrista Razin, Márcio trabalhava ativamente, por isso quando incêndio
destruiu uma favela próxima à Avenida Bandeirantes e os desabrigados foram
transferidos para o Jardim Iporanga sentiu a necessidade de uma contribuição
mais duradoura. Com a ajuda de seu pai, então técnico famoso de futebol,
Oswaldo Brandão (que passou pelos clubes paulistas Palmeiras e Corinthians e
também pela seleção brasileira) e de amigos comprou o terreno na rua Contos
Amazônicos para a criação de uma entidade filantrópica. Como era engenheiro,
desenhou o prédio e o projeto
assistencial, depois continuado, mesmo depois de sua morte em consequência do
câncer cerebral, ocorrido em 1973, pelo pai e pela irmã, Regina Brandão.
A instituição, embora tenha nascido e sido
fundamentada pelos valores religiosos, sempre prestou serviços que visassem ao
crescimento do ser-humano sem a imposição dos dogmas, valorizando a pluralidade
cultural, a ética e a cidadania, que perpassam não só os valores cristãos, mas
a vida em uma sociedade justa que permite que todos tenham oportunidade de uma
vida qualitativa.
Ao longo dessas décadas, em parceria com
outras instituições, empresas e pessoas físicas foram desenvolvidos projetos de
apoio à gestação, de promoção à saúde, educação pré-escolar, promoção de
valores humanistas e holísticos, introdução à tecnologia da informação,
incentivo à leitura, complemento à nutrição, orientação à higiene, educação complementar.
E posso atestar: a semeadura deu frutos. Eu, já
árvore, fui uma das assistidas, na tenra infância da casa e da minha história.
