sábado, 29 de abril de 2017

Do futebol, de interlagos, do Brasil: do mundo


Interlagos tem personagens que, mesmo não nascidas aqui, trouxeram representatividade à região, quiçá ao país.  Mas não me refiro a políticos que eleitos pelos cidadãos da região fulguram no cenário nacional. Hoje tratarei de uma instituição e seus idealizadores que, embora não tenham uma ação política, no sentido profissional, ajudam há quase quatro décadas na criação de uma comunidade melhor.
A instituição à qual cito foi idealizada por Márcio Eduardo Barone Brandão,  modelo, atleta e piloto de corridas (competiu várias vezes em Interlagos). Após se formar em engenharia em 1972, dedicou-se ao trabalho espiritualista e às práticas sociais, alicerçado na filosofia que aprendeu com seu pai que, semanalmente, mesmo com as atividades profissionais, reunia a família para estudar o evangelho. Ligado ao núcleo religioso Grupo Socorrista Razin, Márcio trabalhava ativamente, por isso quando incêndio destruiu uma favela próxima à Avenida Bandeirantes e os desabrigados foram transferidos para o Jardim Iporanga sentiu a necessidade de uma contribuição mais duradoura. Com a ajuda de seu pai, então técnico famoso de futebol, Oswaldo Brandão (que passou pelos clubes paulistas Palmeiras e Corinthians e também pela seleção brasileira) e de amigos comprou o terreno na rua Contos Amazônicos para a criação de uma entidade filantrópica. Como era engenheiro, desenhou o prédio e o  projeto assistencial, depois continuado, mesmo depois de sua morte em consequência do câncer cerebral, ocorrido em 1973, pelo pai e pela irmã, Regina Brandão.
A instituição, embora tenha nascido e sido fundamentada pelos valores religiosos, sempre prestou serviços que visassem ao crescimento do ser-humano sem a imposição dos dogmas, valorizando a pluralidade cultural, a ética e a cidadania, que perpassam não só os valores cristãos, mas a vida em uma sociedade justa que permite que todos tenham oportunidade de uma vida qualitativa.
Ao longo dessas décadas, em parceria com outras instituições, empresas e pessoas físicas foram desenvolvidos projetos de apoio à gestação, de promoção à saúde, educação pré-escolar, promoção de valores humanistas e holísticos, introdução à tecnologia da informação, incentivo à leitura, complemento à nutrição, orientação à higiene,  educação complementar.
E posso atestar: a semeadura deu frutos. Eu, já árvore, fui uma das assistidas, na tenra infância da casa e da minha história.

sábado, 15 de abril de 2017

NOSSA SENHORA APARECIDA, PATRONA DO BRASIL



 

Nossa Senhora Aparecida, patrona do Brasil católico:  Virgens Marias precursoras da devoção
Roberto Carlos já cantou que todas as Nossas Senhoras são a mesma mãe de Deus. Elas são as variações da representação de Santa Maria, mãe de Jesus, outrora "mãe de Deus", pela tradição católica. Temos diferentes nomeações e iconografias, aludindo aos fatos sociais, geográficos, artísticos, literários e culturais dos povos que as veneram.
No que se refere à hagiografia  no Brasil, ocorrem-me algumas reflexões, incitada, sobretudo, pelas comemorações do tricentenário de Nossa Senhora Aparecida, anunciado pela igreja católica no dia 12 de outubro passado e, para inquietude de muitos, tematizado no carnaval deste ano, em São Paulo, pela agremiação Vila Maria, com autorização e supervisão da concílio paulista. Mas, antes de citar esse fato (polêmica), tratarei de uma inquietude: as santas consideradas como padroeiras por um período, mas não perpetuadas como tal.
Pela tradição católica, conta-se que, no Brasil, uma santa do século XVI, foi entalhada por um artesão indígena em Pernambuco, que colocou traços do seu povo na imagem. Ela fora encomendada por Anchieta e, século depois, foi guardada por capuchinhos, em proteção à invasão holandesa, no século VII. Como os monges eram italianos, mandaram-na para seu país, e lá se referiam a ela como “Madonna del Brasile”. Mas sua fama de milagrosa teria ocorrido quando a Igreja de Santo Efrén, onde estava,  foi totalmente destruída pelo fogo, em  22 de Fevereiro de 1840. Quando os frades vasculharam o que restou nas cinzas, encontraram totalmente intacta a imagem da Virgem Maria brasileira e tornaram-se devotos dela.  A devoção chegou ao Brasil só no século seguinte, em 1924, quando o bispo D. Frederico de Souza Costa, ouvindo falar da santa, viaja até Nápoles e  traz a fama  dela para o Brasil, promovendo, com isso, a construção de igrejas dedicadas a ela e o crescimento de devotos até hoje.
Pelo nome, embora a referência tenha sido atribuída pelos italianos, foi uma associação ao nosso país. A imagem de Nossa Senhora Aparecida já havia sido achada nessa época, mas como afirmado, a existência dessa santa era dos anos 1.500 e, seus traços  mestiços, poderiam bem tê-la tornado símbolo da religiosidade católica nacional. Mas nos tempos de Anchieta, e durante muito tempo, a tradição portuguesa ainda imperava, portanto, Nossa Senhora da Conceição, a santa portuguesa, era também considerada, no Brasil, a principal referência à mãe de Jesus.
A hipótese é essa: a imagem achada e referenciada como Aparecida, fora feito como imagem Virgem Maria ou da santa portuguesa, pois nos primeiros registros, a expressão utilizada era “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. Há 300 anos de histórias, não só sobre o aspecto sobrenatural, por isso trataremos na próxima coluna os aspectos religiosos, como também os históricos e políticos referentes à permanência da  tradição desse ícone nacional católico.