sábado, 3 de junho de 2017

Jornais de bairro: o "eu' e o "nós" na notícia! (editorial)


Mesmo com o apocalíptico discurso do fim do impresso, os jornais ainda saem das gráficas nesta década, imprimindo os fatos e opiniões, registrando, criando ou recriando a realidade que entra na história. Sim, para muito, a melhor forma de se estudar a história é analisar registros periódicos, sobretudo de uma coletividade. Portanto, um jornal se comporta como um bom ícone ou metonímia não só do passado, como do presente. Para os leitores que tiveram em maior parte da sua vida o contato com textos em papel, mesmo que já usem mídias virtuais, ainda têm apego ou necessidade do suporte físico, o que explica a fidelidade dos leitores de textos impressos. No que se refere a jornais de bairro, outros aspectos fidelizam o leitor, sendo o principal delas a presença de assuntos efetivamente relacionados à região. Dessa forma, esse tipo de jornal acaba tendo um papel social e político mais explícito, principalmente pela presença de matérias sobre associações, sobre os feitos políticos etc. Como o foco são os bairros em que circula, realizações ou abstenções dos representantes no legislativo e no executivo são noticiados, com textos produzidos por adversários e por afins políticos, pois todos querem falar ao seu público e ao vizinho eleitor. Outro fato relevante a citar sobre a existência dessa mídia é o custeio da produção.
Geralmente, a edição é custeada pelas propagandas veiculadas dos comerciantes,  eventos e personagens  da região e, por isso, há uma importante retroalimentação: quanto mais os moradores, empresários, comunidade se identificarem com a região, buscarem e conseguirem melhorias e sustentabilidade do ponto de vista ecológico, humano e financeiro, melhor para os indivíduos, como cidadãos, munícipes que vêm ao jornal, se veem no jornal e têm acesso a informações sem pagar para lê-lo.
Essa gazeta, um dos jornais mais antigos em circulação periódica e gratuita, desde a década 60, permanece ativo, representando a região de forma tão consistente que se tornou um exemplo de qualidade e de credibilidade, sendo citado em obras que tratam do tema comunicação, revelando-a importante não só para o distrito, mas para cidade e para o país, pelo registro da história que fez, faz e fará e, por isso,  guardada como coleção em hemerotecas.

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